ALTAR DA CIÊNCIA

O saudável exercício científico nunca pode ser confundido com a figura de linguagem “altar da ciência”, que está diretamente relacionado ao estado tecnocrata. Por pura ironia, aqueles que mais se arrogam dessa tal “ciência” ou do tal “estado democrático de direito” não conseguem juntar lé com cré: a DEMOCRACIA invariavelmente precisa ruir para implementar um estado tecnocrata.

A vontade popular perde sua importância perante a visão de poucos técnicos – que recebem esse título direta ou indiretamente do estado.

É um leviatã RETROALIMENTADO – não ocorre somente nas esferas das ciências tecnológicas ou biológicas: o atual exercício de poder do STF é um bom exemplo do que estou falando.

O prolongado período desse estado tecnocrata culminará, invariavelmente, num estado onde a irracionalidade social será o efeito normal do sistema. Como já alertava Raymundo Faoro, o termo final da suposta jornada racional, do caminho tecnocrático, será um palácio vazio, rondado por fantasmas, palácio perdido no mar do irracionalismo e ameaçado pelos criadores de ídolos. No quadro exteriormente harmônico e interiormente delirante da tecnocracia nada existe de real, senão uma ideologia colorida de traços utópicos, ideologia que justifica valores postos em dúvida, que confere à RACIONALIDADE um valor EM SI. Ideologia, ainda, que MASCARA a luta pelo poder – o velho e dissimulado poder de sempre.

Basicamente é a “verdade” sendo pautada por técnicos “iluminados”, o avesso do que se espera: ciência na busca da verdade/realidade.

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