Crítica estrutural do CDB

Antes de continuar com as criticas ao CDB, vou deixar uma parte do material que utilizei para diagnosticar o fenômeno que se pode chamar de sedevacantismo implícito ou sociológico. É uma planilha catalogando todos os livros a venda (ou esgotados) na loja do Centro Dom Bosco, com seus autores e editoras. A crítica não é emocional nem vem antes de uma observação criteriosa e de outras críticas mais brandas. O CDB utiliza conceitos de “guerra cultural” com conceitos sociológicos claros e evidentes. A construção da narrativa ideológica é montada sob conceitos de estrutura de plausibilidade, através de efeito de câmara de eco, bolha epistêmica e escada de radicalização. É o óbvio do óbvio. Nada de novo debaixo do Sol. O fenômeno não se reduz a posições individuais de determinados autores. Trata-se antes de um ambiente formativo estruturado, no qual determinadas interpretações da história recente da Igreja são continuamente reforçadas por uma rede relativamente coesa de referências intelectuais.

Quando analisados em conjunto, eles revelam um padrão de formação intelectual extremamente específico:

– predominância de autores ligados ao lefebvrismo;
– crítica sistemática ao Concílio Vaticano II;
– deslegitimação da reforma litúrgica;
– ausência quase completa do magistério pós-conciliar.

A predominância de autores ligados ao lefebvrismo, a ausência quase total do magistério pós-conciliar e a presença recorrente de obras que interpretam o Vaticano II como origem da crise da Igreja criam um ambiente formativo no qual a conclusão do sedevacantismo, embora raramente afirmada explicitamente, torna-se estruturalmente plausível.

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