A JORNADA “MÍSTICA” DO “CRISTIANISMO DE DIREITA”. Parte II

A Parte I pode se acessada aqui.


Toda base ocultista foi importante para transformar o medo numa ferramenta de manipulação de massas. Vamos voltar um pouco para tentar colocar alguns influenciadores que estão bem permeados na direita mundial (Aleksandr Dugin, David Icke, Alex Jones, Steve Bannon, Michael Flynn, Peter Thiel e Erik Prince), observando suas bases filosófico-espirituais e de onde suas ideias surgiram.
Primeiro é necessário compreender que o QAnon é uma ferramenta de guerra psicológica e, como tal, tem dois objetivos principais:
1. Diminuir o inimigo causando o caos interno, mudando o sentimento popular através da propaganda;
2. Preparar o campo de batalha para a guerra cinética (guerra de fato);
O QAnon, por exemplo, é resultado do que podemos identificar como “Conspiritualidade”, uma estranha mistura do movimento da Nova Era e das teorias da conspiração. A fusão destas influências aparentemente paradoxais remonta a David Icke, que introduziu nas teorias da conspiração convencionais uma mistura de ideias da Nova Era e teosóficas. Existem outros, mas vou enfatizar apenas alguns pois o intuito dessa série de textos é informar as redes de relacionamento em que o movimento tradicionalista americano está se amparando, talvez de modo inocente, mas que não deixa de ser extremamente danoso para a Igreja Católica. QAnon é desinformação, enganando aqueles que suspeitam que o mundo ao seu redor pode não ser o que parece, mas que podem não estar suficientemente informados sobre a verdadeira natureza da conspiração para discernir o engano. É uma tentativa deliberada de cultivar uma interpretação errônea da conspiração para criar uma oposição controlada de dissidentes ingênuos que são, em última análise, recrutados para servir inadvertidamente à conspiração.

A razão pela qual isto acontece é que aqueles que estão consternados com a direção que as nossas sociedades tomaram, tendem a ficar desesperados por mudanças e demasiado prontos a dar o seu apoio a qualquer pessoa que pareça representar os seus interesses. Eles olham para as palavras de um líder, não para o que ele representa, o que os torna facilmente enganáveis.

A tática remonta pelo menos ao Iluminismo e ao fomento das Revoluções Francesa e Americana, ao levar as massas a acreditar que estavam combatendo a “tirania”, na pessoa da aristocracia e da Igreja Católica, ou do Rei George III da Inglaterra. A mesma tática foi empregada ao usar a causa do comunismo para canalizar a frustração do povo russo contra o Estado para provocar a Revolução Bolchevique de 1917. Mais importante ainda, os nazistas fizeram uso dos notórios Protocolos dos Sábios de Sião, que afirmavam que a revolução russa era o resultado de uma conspiração judaico-maçônica mundial, para assustar os alemães e fazê-los aceitar a ditadura fascista de Hitler para evitar que o mesmo ocorresse ao seu país.


ALEKSANDR DUGIN E SUA APROXIMAÇÃO COM A “DIRETA” – BASES HISTÓRICAS E ESPIRITUAIS.

Soldado russo colocando o símbolo “Z” num tanque, ideia correspondente ao simbolo contido na capa de um dos livros de Francis Parker Yockey, um dos autores que influenciaram Aleksandr Dugin. O inimigo é o Ocidente, os EUA ou a Igreja Católica?

Dos anos 60 e 70 em diante, a Revolução Conservadora formou uma das bases da política da Terceira Posição e enxergava os Estados Unidos e o capitalismo liberal como o principal inimigo, procurando uma aliança com a União Soviética e promovendo a solidariedade com os movimentos revolucionários comunistas no Terceiro Mundo, incluindo a Ásia e a América Latina, e os opositores árabes de Israel. O apelo começa com FRANCIS PARKER YOCKEY para que fosse feita uma reaproximação da direita fascista à Rússia e tornou-se a plataforma fundamental da Nouvelle Droite. Ao trabalhar como promotor nos Julgamentos de Nuremberg na década de 1940, Yockey tornou-se simpático à causa defendida pelos réus nazistas. Yockey era considerado “neo-Strasserista”, devido à sua ideia de uma aliança entre a Esquerda e a Direita e trabalhando com comunistas anti-sionistas, assim como o Dugin está fazendo (nada novo). Ao fundir o anti-semitismo com o antiamericanismo, Yockey identificou os Estados Unidos, e não a Rússia, como o principal inimigo da Europa. Ao contrário da maioria dos neofascistas europeus e americanos que defendiam uma aliança com os Estados Unidos contra o comunismo, Yockey passou o resto da sua vida tentando forjar uma aliança entre as forças mundiais do comunismo e a rede internacional da extrema direita. Yockey acreditava que os verdadeiros direitistas deveriam ajudar a propagação do comunismo e dos movimentos anticoloniais do Terceiro Mundo sempre que possível, com o objetivo de enfraquecer ou derrubar os Estados Unidos. A posição pró-Rússia de Yockey apareceu finalmente numa amálgama que se desenvolveu entre a Nouvelle Droite do GRECE (Groupement de recherche et d’études pour la civilisation européenne), o nacionalismo revolucionário e o nacional-comunitarismo do membro do GRECE, Jean-François Thiriart.

Thiriart reuniu-se com figuras importantes da Internacional Fascista, incluindo Skorzeny, a quem visitava frequentemente na Espanha. Skorzeny apresentou Thiriart a Juan Perón, o líder deposto da Argentina, após o que eles se tornaram amigos íntimos. Perón definiu a posição internacional, conhecida como Peronismo, como uma “Terceira Posição”, entre o capitalismo e o comunismo, uma postura que se tornou um precedente do Movimento dos Não-Alinhados. O termo “Terceira Posição” foi cunhado na Europa e os seus principais precursores foram o Nacional Bolchevismo (Nazbol) e o Strasserismo. Nas décadas de 60 e 70, Thiriart apelou a um único império europeu, incluindo a União Soviética. Ele apoiou as ideias de Muammar Kadafi de democracia direta nacionalista e as estratégias revolucionárias de Fidel Castro – aqui vai ficando mais clara a formação do bloco de alianças e a influência dos canais geopoliticos e grupos Neo-Reacionários, como o Nova Resistência e seu culto ao Getulhismo.

Dugin foi o verdadeiro arquiteto da direita alternativa. O objetivo de Dugin faz parte de um plano baseado na sua filosofia oculta, de colocar a Hiperbórea, representando a Rússia e os seus aliados eurasianos, contra a Atlântida, representada pela América e pela OTAN. Dugin, cujo plano é semear o caos sempre que possível para minar a hegemonia ocidental, viu uma oportunidade para explorar a volátil divisão racial da América. Onde Dugin propôs várias estratégias para diferentes países nos Fundamentos da Geopolítica sobre como combater a influência americana ou ganhar aliados, ele prescreveu a necessidade dos serviços especiais russos e seus aliados “provocarem todas as formas de instabilidade e separatismo dentro das fronteiras dos Estados Unidos”.

Protegido do aluno de Raymond Abellio, Jean Parvulesco, Dugin também era amigo próximo do operativo Gladio Claudio Mutti, que se juntou à Jovem Europa (inspirada no movimento Jovem Itália dos líderes maçons Mazzini e Garibaldi) do membro do GRECE, Jean-François Thiriart.
Mutti também era amigo próximo de Luc Jouret, que fundou o culto do Templo Solar e também foi nomeado emir no notório Movimento Murabitun, uma organização cripto-maçônica fundada por um escocês convertido ao Isla chamado Ian Dallas, também conhecido como Sheikh Abdalqadir al-Murabit, fundador do Movimento Mundial Murabitun, um movimento Sufi. Dugin também trabalha em estreita colaboração com Christian Bouchet, um alto iniciado de Memphis-Misraim, que afirmou ser o chefe da OTO na França. Bouchet foi descrito como “um dos principais promotores do pensamento satânico na França”, tendo escrito um doutorado em antropologia na Universidade Paris Diderot sobre Aleister Crowley. Dugin também está associado a Kerry Bolton, fundador da satânica Ordem Negra e distribuidor internacional da Ordem dos Nove Angulos (O9A), com sede na Inglaterra.


Inspirado pelos seus mentores Jean Parvulesco e Raymond Abellio, o plano de Dugin para acelerar o Fim dos Tempos expande as aspirações do artificial Priorado de Sião, do reinado do Grande Monarca de Nostradamus, a serem cumpridas com a “Consagração da Rússia” profetizada no Terceiro Segredo de Fátima. Stephan Chalandon e Philip Coppens detalham o que liga o sinarquismo de Abellio e Parvulesco, os Três Segredos de Fátima e a sua própria visão para o futuro da Rússia, e descrevem-nos como adeptos da Nova Era construindo “Uma Era de Aquário”. Coppens é um autor belga que se concentrou em áreas da ciência marginal e história alternativa e conexões entre cultos de OVNIs e a direita. Coppens foi destaque nas revistas Nexus, Atlantis Rising e New Dawn e apareceu em muitos episódios da série Alienígenas do Passado (Ancient Aliens), do History Channel.

Bolton exaltou a prescrição de Dugin para um mundo “multipolar” num artigo para a revista New Dawn, intitulado “Putin, Rússia, & a Ascensão de uma Nova Era”. A New Dawn, que se autodenomina “A revista mais incomum do mundo”, concentra-se em tópicos da Nova Era, medicinas alternativas, extraterrestres e “notícias e opiniões alternativas sobre tendências globais e assuntos mundiais”. A página “Sobre” apresenta o endosso de Philip K. Dick, Jose Argüelles e do próprio Dugin, que descreveu a revista como: “uma das melhores fontes de informações realistas sobre o estado das coisas em nosso mundo à medida que se aproxima de seu fim inevitável e previsto “. Referindo-se à profecia de Nostradamus, Bolton observa que um comentarista da revista New Dawn escreveu: “a ascensão de Putin teve implicações místicas que poderiam impactar o mundo de uma forma memorável: a posse de Putin como primeiro-ministro em 9 de agosto de 1999 ocorreu durante a semana do eclipse solar e o alinhamento planetário da Grande Cruz, ‘um evento astrológico altamente auspicioso… tradicionalmente considerado o fim de uma época’”.

A parte II continua até chegar em Erick Prince, pra depois iniciaremos a terceira parte. Foi necessário fracionar a segunda parte por causa da quantidade de informações sobre os personagens envolvidos.

Abaixo seguem algumas recomendações de leitura para complementar o estudo sobre Aleksandr Dugin:

Dugin e o ocultismo
https://rascunhos.data.blog/2023/04/04/dugin-e-o-ocultismo/

Dugin e a Terceira Roma
https://rascunhos.data.blog/2023/04/04/dugin-e-a-terceira-roma/

Ligação do movimento Eurasiano com expoentes nazistas/ocultistas e uma parte do plano de Dugin
https://rascunhos.data.blog/2023/04/04/ligacao-do-movimento-eurasiano-com-expoentes-nazistas-ocultistas-e-uma-parte-do-plano-de-dugin/

A marcha para o abismo da direita católica no Brasil

Inspirada no nazismo e satanismo, ideologia de Dugin conquistou o Kremlin

O misticismo nazi de Aleksandr Dugin

A mão esquerda de Dugin

“Nos anos 80, Dugin gravou várias músicas sob o pseudônimo Hans Sievers, uma delas se chamava “Astaroth”. A todos os fãs e conhecedores de Dugin, aconselho que ouçam esta música. É o único lugar onde ele não está mentindo, onde ele se abriu como está. Esta é a sua verdadeira história…”

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