Elon Musk, o passarinheiro que armou um laço para o Twitter, não é um rebelde cruzado que desafia o establishment: ele é parte integrante do sistema.

Michael Griffin, à esquerda, encontra-se com Musk, à direita, em 2005 na sede da NASA em Washington DC.

A SpaceX ganhou contratos com a Força Aérea para colocar seu satélite de comando em órbita, com a Agência de Desenvolvimento Espacial para enviar dispositivos de rastreamento ao espaço e com o National Reconnaissance Office (NRO) para lançar seus satélites espiões. Esses satélites são usados por todas as “cinco grandes” agências de vigilância, incluindo a CIA e a NSA. Sem a empresa de Musk, os EUA não seriam capazes de realizar um programa tão invasivo de espionagem e guerra de drones em todo o mundo sem deixar uma assinatura clara da origem dos ataques.

De fato, a China está ficando cada vez mais cautelosa com esse poder e está sendo aconselhada a desenvolver tecnologias anti-satélite para combater o olho que tudo vê da SpaceX. No entanto, o próprio Musk continua a se beneficiar de uma percepção geral de que ele não faz parte do sistema.

Desde suas origens em 2002, a SpaceX sempre esteve extremamente próxima do estado de segurança nacional, particularmente da CIA. Talvez o elo mais crucial seja Mike Griffin que, na época, era presidente e COO da In-Q-Tel (Link no primeiro comentário), uma empresa de capital de risco financiada pela CIA que busca nutrir e patrocinar novas empresas que trabalharão com a CIA e outros serviços de segurança, equipando-os com tecnologia de ponta. O “Q” em seu nome é uma referência ao “Q” da série James Bond – um inventor criativo que fornece ao espião o que há de mais moderno em tecnologia futurista.

Mesmo em uma caverna subterrânea sob as siderúrgicas de Mariupol, os combatentes Azov foram capazes de acessar a internet e se comunicar com o mundo exterior, até mesmo fazendo entrevistas em vídeo do subsolo.

Musk também chamou a atenção quando pareceu admitir que trabalhou com o governo dos EUA para derrubar o presidente boliviano Evo Morales em 2019. A Bolívia abriga as maiores reservas de lítio de fácil extração do mundo, um elemento crucial na produção de baterias para veículos elétricos.

Esforço para reduzir as emissões de carbono, governos de todo o mundo introduziram um sistema de créditos para veículos verdes, pelo qual uma certa porcentagem da produção de cada fabricante deve ser de veículos com emissão zero. A Tesla só produz carros elétricos, então atende facilmente a marca e, com isso, as regulamentações energéticas fazem as suas empresas serem lucrativas sem precisar produzir, o sistema também permite que a Tesla venda seus créditos excedentes para fabricantes que não podem atender a essas cotas. Em um mercado competitivo em que cada fabricante precisa atingir certas metas, esses créditos valem seu peso em ouro e geram bilhões de lucro líquido da Tesla todos os anos. Por exemplo, apenas entre 2019 e 2021, a Stellantis, dona das marcas Chrysler, Fiat, Citroen e Peugeot, desembolsou quase US$ 2,5 bilhões para adquirir créditos verdes da Tesla nos EUA e na Europa.

Isso significa que, se você está pagando quase 100k num carro popular aqui no Brasil, uma das razões é porque uma parte do seu dinheiro está indo para o bolso do Musk.

Elon, em suma, não é uma ameaça para a elite poderosa e entrincheirada: ele é um deles.

Referências:

https://en.m.wikipedia.org/wiki/In-Q-Tel

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