Behemoth e Leviatã

O professor Olavo de Carvalho utiliza o simbolismo da gravura de William Blake do Behemoth (terra) como o peso maciço da necessidade natural e do Leviatã (água) como a infra natureza diabólica, invisível sob as águas – o mundo psíquico que agita como a língua.

Para Blake, embora o Behemoth represente o domínio das forças obedientes a Deus e o Leviatã o espírito de negação e de rebelião, ambos são igualmente monstros, forças cósmicas com poderes infinitamente maiores que o homem, que combatem uma contra a outra não só no cenário do mundo mas também dentro da alma humana. Para o professor Olavo o Behemoth representa o rígido conservadorismo enquanto o Leviatã representa o caos revolucionário.

É imprescindível salientar que as duas forças podem ser manifestações tanto dentro do espectro da direita quanto no da esquerda, ou seja, nada impede que o rígido conservadorismo se manifeste pela via que se chama de esquerda e o espírito revolucionário numa via convencionalmene dita como direita.

Não cabe ao homem nem ao Behemoth subjugar o Leviatã, somente Deus pode fazê-lo.

Esse simbolismo foi usado por Carl Schmitt, jurista e geopolítico alemão durante a segunda guerra em sua interpretação medieval dos cabalistas de que a história do mundo é a batalha entre o Behemoth e o Leviatã. Entre essas bestas bíblicas apresentadas no livro de Jó. Ele via no Behemoth, a besta da terra, a representação da Alemanha enquanto que a Inglaterra era o Leviatã. Para ele, a besta marítima representa a desordem, o caos, a anarquia enquanto a Alemanha representa a ordem e a estabilidade da terra sólida.

Para Schmitt, a natureza das guerras entre as potenciais terrestres faz uma distinção clara entre cidadãos e combatentes enquanto que a potência marítima utiliza como arma o bloqueio, que não faz distinção entre cidadãos e combatentes. A ideia é que o povo passe fome, independente de quem é quem. Com as potências marítimas a guerra é total – não é de militar conta militar mas sim de todos contra todos. Em uma guerra, a potência marítima não está lutando contra o exército oponente, mas contra todo estado inimigo (até contra os estados neutros que rompam o bloqueio conta os inimigos).

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