Essa imagem de Lampião foi retirada de um grupo ligado aos russófilos da NR no Telegram.
Refletindo sobre a perspectiva da teoria dos quatro discursos do Olavo de Carvalho e tendo como objeto a “teoria das castas”, podemos definir que existem sutilezas que podem ser capturadas por algumas pessoas dotadas de uma percepção simbólica mais aguçada. Narrativas compostas por métodos para dirigir a VONTADE de certos grupos na sociedade.
O DISCURSO POÉTICO conecta os Kshatriyas, ou como difundido por aqui como “membros de uma Narrativa da Nobresa”, aos arquétipos universais do herói e do guerreiro, que são essenciais para sua função na sociedade. Segundo a perspectiva tradicional e filosófica, Carl Jung e Joseph Campbell demonstraram como narrativas poéticas evocam arquétipos que são motores psíquicos profundos. O guerreiro é aquele que responde ao chamado do “caminho heróico”, transcendendo o ego em favor de uma causa maior. A poesia, ao condensar imagens simbólicas, mitos e metáforas, permite que o Kshatriya entre em sintonia com esses arquétipos. Arjuna, na Bhagavad Gita, personifica o herói hesitante que encontra seu propósito pela instrução poética e simbólica de Krishna. Aquiles, na Ilíada, inspirado por ideais heroicos expressos poeticamente, luta para alcançar a glória eterna, um valor central para os guerreiros gregos. Esse vínculo entre o discurso poético e o arquetípico torna o poético indispensável para moldar a identidade espiritual do Kshatriya.
Diferente do discurso analítico, que busca explicar, ou do dialético, que pondera possibilidades, o discurso poético mobiliza a VONTADE e conduz à AÇÃO. Os Kshatriyas são definidos por seu papel ativo no mundo – eles PROTEGEM, GOVERNAM e LUTAM.
A poesia não apenas descreve a ação, mas a encarna e a convoca. Os versos épicos, ao narrar batalhas e sacrifícios, despertam o desejo de imitar esses feitos, traduzindo o ideal abstrato em energia concreta. Canções de guerra e hinos épicos atuam como “gatilhos emocionais” que alinham o guerreiro à sua missão. Assim, o poético se torna mais do que uma ferramenta de comunicação; ele é um MOTOR PSÍQUICO e ESPIRITUAL.
No contexto tradicional, o “Dharma Kshatriya” (dever do guerreiro) não é algo abstrato, mas sim vivido e reforçado por narrativas poéticas. O “Dharma” é mais facilmente compreendido poeticamente: enquanto os Brahmanas (sacerdotes) lidam com conceitos metafísicos por meio do discurso analítico ou dialético, os Kshatriyas absorvem sua missão como um ideal simbólico apresentado em forma de canção ou épica. A Bhagavad Gita não oferece uma análise filosófica fria. Ela usa o poder da poesia para apresentar conceitos como desapego, sacrifício e o dever moral em termos que emocionam e energizam o guerreiro.
A tradição védica reconhece que os Kshatriyas não são apenas guerreiros físicos, mas também instrumentos espirituais para a preservação do Dharma. A poesia, ao ser rica em simbolismo e transcendência, conecta o guerreiro com ideais cósmicos. Essa conexão espiritual é o que transforma o combate físico em uma guerra justa e sagrada. Em culturas como a japonesa, a poesia dos samurais, como os haikais, servia para integrar o espírito guerreiro a uma visão de harmonia cósmica. Nos Vedas, os hinos poéticos glorificam os Devas (deuses), frequentemente apresentando-os como guerreiros divinos, modelos para os Kshatriyas.
Comparando com os Outros Discursos, o poético se mostra singularmente eficaz para os Kshatriyas. O analítico, é técnico e voltado ao detalhe, mais útil para os Vaishyas (comerciantes) ou Shudras (trabalhadores). O dialético serve à abstração e à especulação filosófica, sendo mais adequado aos Brahmanas. Já o retórico, persuade em contextos práticos, mas não tem o mesmo poder de elevação espiritual do poético. O poético, ao contrário, sintetiza todos os outros discursos em uma linguagem emotiva e simbólica que pode ser imediatamente vivida e internalizada.
Mesmo em tempos modernos, o poético continua sendo eficaz para comunicar-se com os “novos Kshatriyas”. Líderes modernos, teatrólogos, cineastas e os neo Bardos, como Yukio Mishima, Aleksandr Dugin, Pier Paolo Pasolini, Oswald Spengler, Alain de Bernoist, Dominique Venner, Savitri Devi, Cornelio Zelea Codreanu, Ernest Junger, Carl Schmitt e outros, frequentemente usam metáforas poéticas para inspirar ideais de luta espiritual e cultural. Filmes e romances com heróis arquetípicos continuam a apelar ao ethos guerreiro em um mundo pós-moderno.
A comunicação com os Kshatriyas, segundo a teoria dos quatro discursos do Olavo de Carvalho, encontra no discurso poético seu formato mais eficiente porque a poesia apela diretamente ao espírito e à emoção, sem a necessidade de explicações racionais, além de fornecer modelos simbólicos e arquetípicos, essenciais para inspirar ação. Além disso, o discurso poético leva o guerreiro a uma dimensão espiritual, conectando sua luta terrena a um propósito transcendente. O poético, ao conjugar beleza, simbolismo e verdade, se torna o meio ideal para alinhar o guerreiro com o dever, o “Dharma”, e mobilizá-lo para sua missão. Assim como Arjuna encontra sua força na Bhagavad Gita, os Kshatriyas modernos também precisam de uma linguagem que inspire, emocione e os conecte à um contexto transcendente.
Compreendendo o poder do discurso poético, grupos ligados ao perenialismo e permeados pelo paganismo emergente através da massificação de ideologias totalitárias por autores e ideológicos erísticos (Éris, deusa do Caos), podemos perceber a movimentação de alguns desses grupos aqui no Brasil que estão cultivando a semente do caos, como os ligados ao nacionalismo Hazonyano, o folclore Armorial de Suassuna inspirado na temerária história da Pedra do Reino, como disseminada pelo grupo Frente Sol da Pátria, liderado por ex membros do Neo Reacionário movimento russofilo da Quarta Teoria Política da NR (Nova Resistência), além do Quinto Movimento do Aldo Rebelo, dentre inúmeros outros.
Cintinuarei, em breve, com a perspectiva Católica sobre a Nobresa, a Verdadeira Batalha e a concepção dos Santos Mártires, culminando no maior modelo e símbolo de martírio da história humana: o Calvário.
Estejam atentos.
“Tudo em volta induz à loucura, ao infantilismo, à exasperação imaginativa. Contra isso o estudo não basta. Tomem consciência da infecção moral e lutem, lutem, lutem pelo seu equilíbrio, pela sua maturidade, pela sua lucidez. Tenham a normalidade, a sanidade, a centralidade da psique como um ideal. Prometam a vocês mesmos ser personalidades fortes, bem estruturadas, serenas no meio da tempestade, prontas a vencer todos os obstáculos com a ajuda de Deus e de mais ninguém. Prometam SER e não apenas pedir, obter, sentir, desfrutar”.
– Olavo de Carvalho.
