Problemas da Sola Scriptura

Um dos problemas da “Sola Scriptura” é que desconsidera 7 livros e alguns fragmentos  de outros (Ester e Daniel). Lutero era cabalista e praticante de alquimia e, principalmente em II Macabeus está a chave para compreender que, conforme também citado por Franz Cumont n’Os Magos Helenizados, Magos não eram zoroastristas ortodoxos, mas hereges, a quem ele renomeou “magusseanos”, que corromperam sua fé original com a magia babilônica. O que Cumont não observou, no entanto, é que o século VI a.C., período durante o qual o culto herético dos Magos se desenvolveu na Babilônia, foi o mesmo período e cidade onde os judeus foram mantidos no cativeiro e desenvolveram a Cabala. Após a libertação, aproximadamente 1/4 dos hebreus que haviam sido mantidos no cativeiro e foram influenciado por magos do Zoroastrismo continuaram na Babilônia e tiveram como descendentes os “irmão piedosos” (hassidin) que podemos rastrear até os fariseus e a genealogia de Gamaliel, a quem São Paulo aponta que os ensinamentos “não foram muito bons”.

Também fica mais difícil compreender a Comunhão dos Santos e o Purgatório.

Primeiro comentário segue artigo escrito sobre a relação de Lutero com alquimia.

Segundo comentário Influencias cabalistas em Lutero.

Terceiro sobre Talmud, que assim como Zohar, não é “Sola Scriptura”.

Lutero retirou os Livros porque pega ele no contrapé.

Acerca da cronologia: entre Martinho Lutero (1483–1546) e o surgimento institucional da Ordem Rosa-Cruz (século XVII), não se deve desconsiderar que a circulação prévia de ideias herméticas, cabalísticas e alquímicas antecederam a estruturação de movimentos organizados. A análise histórica exige que se distinga entre a institucionalização de correntes filosófico-religiosas e a permeabilidade de certos conceitos em contextos intelectuais anteriores.

A historiografia moderna, notadamente os trabalhos de Frances Yates em The Rosicrucian Enlightenment (1972), demonstra que as ideias associadas ao Rosa-Crucianismo emergiram de uma amalgamação de correntes renascentistas, incluindo o Hermetismo, a Cabala Cristã e a alquimia. Essas tradições já circulavam na Europa desde o século XV, especialmente após a tradução do Corpus Hermeticum por Marsílio Ficino (1463) e a popularização da Cabala por figuras como Giovanni Pico della Mirandola. Lutero, embora crítico de práticas mágicas, estava inserido em um milieu intelectual onde tais ideias eram debatidas, mesmo que marginalmente.

A relação de Lutero com a alquimia, fora as indicações no última artigo contido na Revista Regina Milites, no primeiro comentário, é atestada em fontes primárias. Em Tischreden (Conversas à Mesa), ele comenta sobre a utilidade da alquimia para a medicina, comparando-a à teologia. O reformador mantinha correspondência com o alquimista Johann von Staupitz, seu mentor, e há registros de que possuía livros de alquimia em sua biblioteca. Embora não fosse um praticante declarado, sua abertura a conceitos alquímicos denota uma interação com correntes esotéricas de seu tempo, mesmo que de forma crítica ou instrumental.

Lutero “exotericamente”, porém, rejeitava a Cabala, como evidenciado em Contra os Cabalistas (1543). No entanto, é facilmente dedutível que debates sobre a interpretação simbólica das Escrituras, comuns entre cabalistas, tenham influenciado indiretamente a ênfase protestante no sensus literalis versus sensus spiritualis. A remoção dos livros deuterocanônicos (e.g., Macabeus) pode ser interpretada não apenas como rejeição ao purgatório, mas como parte de uma agenda para “purificar” o cânone de narrativas associadas a tradições que contaminaram os hebreus durante e posteriormente ao cativeiro babilônico, conforme discutido por Heiko Oberman em Luther: Man Between God and the Devil (1989).

A lenda de Christian Rosenkreuz, suposto fundador no século XIV, é reconhecidamente anacrônica, mas os manifestos rosa-cruzes do século XVII (Fama Fraternitatis, 1614) não surgiram “ex nihilo”. Eles sintetizaram ideias herméticas já em circulação, muitas das quais haviam permeado círculos luteranos. Johann Valentin Andreae (1586–1654), autor associado aos manifestos, era pastor luterano e neto de Jakob Andreae, colaborador da Fórmula de Concórdia (1577). Essa conexão, desde que não seja amparada num cartesianismo estrito – logicamente impossível em contextos ocultistas-, atesta que o ambiente luterano pós-Reforma foi fértil para a reinterpretação de símbolos pré-existentes, ainda que sob novos rótulos.

Movimentos filosóficos frequentemente antecedem sua codificação institucional, como visto no caso do Iluminismo (século XVIII), cujas bases foram gestadas no século XVII. Analogamente, ideias associadas ao Rosa-Crucianismo – como a busca por uma reformatio universal, a valorização do conhecimento oculto e a síntese entre fé e ciência – já estavam presentes em círculos reformistas e herméticos do século XVI. Lutero, como figura inserida nesse contexto, pode não ter sido um “rosa-cruz”, mas certamente interagiu com correntes que posteriormente alimentaram o movimento.

– YATES, Frances. The Rosicrucian Enlightenment. 
– OBERMAN, Heiko. Luther: Man Between God and the Devil. 
– HANEGRAAFF, Wouter. Esotericism and the Academy: Rejected Knowledge in Western Culture. 
– SZONYI, György. John Dee’s Occultism: Magical Exaltation Through Powerful Signs.

[1] Regina Milites, Segunda Edição (último artigo é meu)

https://www.estudosnacionais.com/regina-milites-2/

Reforma, Lutero, criptojudeus, Rosacruzes, iluminismo, Rothschilds, Ashkenaz, Graal, Cavaleiro Cisne Lohengrin.

Aqui também falo sobre a falsa crença na lenda que vem do Talmud, não da Bíblia (nem católica, nem protestante) que conta a estória de Salomão enganando Asmodai:

https://rascunhos.data.blog/2023/10/15/conflito-israel-palestina-parte-i-introducao-para-compreender-o-contexto-historico-dentro-do-grande-jogo/

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