Em meio a um cenário de crescente desordem na ordem mundial pós-Segunda Guerra, o encontro ocorrido há dois dias no Salão Oval entre o presidente ucraniano Zelensky e o presidente dos Estados Unidos Donald Trump emerge como um sinal inequívoco de ruptura. Longe de ser um mero episódio isolado, essa reunião provavelmente simbolize o início de uma transformação imperialista – um deslocamento que desafia os paradigmas liberais e republicanos que há tanto tempo estruturaram o sistema internacional.
Sob a perspectiva dos preceitos hegelianos, reinterpretados por teóricos como Dugin, o fim da era do pós-guerra não significa um colapso, mas o surgimento de uma nova ordem multipolar. Nesta visão, a Europa deixa de ser apenas um ator passivo para se transformar no epicentro de um bloco reordenado, que passa a ser denominado por meio de siglas que remetem ao icônico lema “Make America Great Again”. Assim, surgem os seguintes blocos:
MEGA – Make Europa Great Again: Representa a reconfiguração do velho continente, que se prepara para assumir um papel central na nova ordem imperial.
MAGA – Make America Great Again: Mirando expansão territorial, os Estados Unidos buscam reinventar sua hegemonia em um contexto de realinhamento global.
MRGA – Make Russia Great Again: A Rússia, evocando tradições monárquicas e esotéricas, aposta na centralização do poder e na retomada de seu antigo prestígio.
MIGA (Israel expandindo sobre parte da Síria, Líbia e Península do Sinai) MIGA2 (Índia), MCGA (China), MCGA2 (parte do Califado), MTGA (Império Turco Otomano), entre outros: Esses acrônimos ilustram a emergência de blocos regionais – da Índia à China, da Turquia ao restante do Oriente Médio – cada um articulando uma nova lógica de poder baseada em retóricas de “grandeza” e na revalorização de antigas estruturas imperialistas.
A nova ordem que se delineia fundamenta-se em uma síntese complexa entre o pensamento esotérico, gnóstico e perenialista e uma tentativa de resgatar modelos tradicionais de poder. Inspirados pelos ensinamentos de Hegel e reinterpretados por correntes contemporâneas, os proponentes dessa visão defendem que o liberalismo pós-guerra esgotou suas possibilidades. Em contrapartida, o ressurgimento de ideologias que exultam o retorno das monarquias – não apenas na forma, mas na essência do poder – anuncia um futuro em que o misticismo, a tradição e a autoridade dinástica ocuparão lugar central.
Nesse contexto, o encontro entre Zelensky e Trump revela-se como o primeiro movimento de uma reordenação global, em que a Europa, através do bloco MEGA, se prepara para liderar uma nova configuração multipolar. Esta articulação de blocos “Great Again” não apenas redesenha o mapa político, mas também coloca em xeque os valores que sustentaram a ordem mundial do século XX, abrindo espaço para uma disputa ideológica onde o esotérico e o tradicional se confrontam com os resquícios dos preceitos católicos e iluministas.
O encontro entre Trump e Zelensky ganha, assim, um significado que ultrapassa as convenções diplomáticas. Longe de ser um mero gesto isolado, essa reunião sinaliza uma tentativa deliberada de reordenar a Europa, pavimentando o caminho para a criação de um bloco que ressoa com as ideias multipolares articuladas por Dugin e as propostas estratégicas do Clube de Roma. Este novo arranjo não se limita à geopolítica, mas se estende à construção de um imaginário coletivo, no qual antigas tradições e simbolismos de poder são reinventados para moldar o futuro global.
Dentro dessa perspectiva, a Europa se transforma no epicentro de uma reconfiguração estrutural, onde as alianças tradicionais se desfazem e renascem sob novas bandeiras. O encontro simbólico entre Trump e Zelensky é interpretado como o primeiro movimento de uma dança complexa, na qual os antigos paradigmas são repensados para dar lugar a uma ordem multipolar. Este novo bloco propõe não só uma divisão territorial, mas uma profunda mudança ideológica – uma reconstrução de valores que se distancia do legado do liberalismo pós-guerra e se reencarna em uma retórica dos “Great Again”.
No cerne dessa nova ordem, emergem preceitos esotéricos, gnósticos e perenialistas que buscam justificar uma ruptura com a modernidade iluminista, mas se escoram no novo Iluminismo das Trevas, um iluminismo com paganismo gnóstico assumido. Assim, a reordenação da Europa, promovida por essa nova configuração multipolar, revela uma dualidade profunda. De um lado, temos o impulso revolucionário de romper com a ordem liberal estabelecida, alicerçado em discursos que misturam simbolismos arcaicos e visões esotéricas para legitimar a emergência de novos impérios – sejam eles representados pelo MEGA, MRGA ou outros blocos “Great Again”. Do outro, surge uma crítica aguda dos preceitos católicos, que veem nesse movimento uma renúncia aos valores sagrados que sustentaram séculos de civilização ocidental. Essa tensão não é apenas política, mas existencial, pois se trata de uma disputa pela alma do futuro, onde o misticismo esotérico se confronta com a fé e a tradição revelada.
O encontro entre Trump e Zelensky, portanto, assume uma dimensão simbólica crucial. Ele representa não apenas a convergência de interesses estratégicos, mas o prenúncio de uma era em que o velho sistema se desintegra diante de uma nova ordem – uma ordem que, apesar de suas ambições de reavivar a grandeza dos impérios passados, carece do amparo moral e espiritual oferecido por uma tradição católica robusta. Em última análise, essa dualidade entre o esotérico e o sagrado coloca em xeque não só a viabilidade política dessa nova configuração, mas também a profundidade de seus fundamentos ideológicos.
No desdobramento desse novo cenário global, o encontro entre Trump e Zelensky torna-se o estopim de uma transformação que transcende fronteiras e desafia convenções. Enquanto a Europa se reconfigura para abrigar um bloco emergente – fundamentado nos postulados multipolares de Dugin e nas visões estratégicas do Clube de Roma – a nova ordem imperialista revela sua face esotérica, sustentada por preceitos gnósticos e perenialistas. Esses fundamentos, que celebram o misticismo e a aura dos antigos impérios, entram em choque frontal com os valores católicos que há séculos constituem a espinha dorsal da tradição ocidental.
A simbologia dos blocos – MEGA, MAGA, MRGA, MIGA2, MCGA, MTGA, entre outros – não é mera retórica. Cada sigla representa uma faceta desse movimento, onde as nações tentam reimaginar seu passado imperial para revalidar seu poder no presente. Contudo, essa reimaginação carrega um peso ambíguo: se, por um lado, ela pretende oferecer uma nova narrativa de grandeza, por outro, esconde as raízes de um imperialismo que se apoia em dogmas arcanos e numa visão de mundo que desafia a razão iluminista.
Nesse contexto, figuras como Netanyahu, operando em cenários conflituosos – com a escalada de tensões na Faixa de Gaza e movimentos de expansão para Síria, Líbano e a península do Sinai – parecem sintonizar com essa “música do momento”, onde a estratégia de expansão e o neo-imperialismo se entrelaçam. A tentativa de consolidar um projeto que, paradoxalmente, depende da intervenção de potências como a Rússia para conter o Irã e viabilizar uma supremacia israelense (o “Make Israel Great Again”) revela as fragilidades de uma ordem que, embora ousada em suas ambições, se sustenta em contradições profundas.
Ao promover essa reordenação, os ideólogos multipolares apostam numa visão de mundo que desdenha a racionalidade dos ideais democráticos e abraça um misticismo que, na prática, pode se transformar em uma ferramenta para legitimar arbitrariedades e centralizar o poder. Esse esoterismo, ancorado na ideia de que o futuro global se delineará sob a égide de monarquias resgatadas de um passado mítico, entra em colisão com os preceitos católicos – que, ao invés de negar o transcendente, o integram à busca por uma ordem justa, fundamentada na caridade, na moralidade e na dignidade humana.
A tensão entre esses dois universos ideológicos é um alerta para o que se pode tornar uma era de polarizações não só geopolíticas, mas existenciais. Enquanto os novos blocos “Great Again” buscam remodelar o mundo a partir de uma lógica imperial e esotérica, o legado católico – símbolo de continuidade e de um compromisso ético com o bem comum – oferece uma contraposição que clama por equilíbrio e pela preservação dos valores humanos fundamentais.
O encontro no Salão Oval, longe de ser um episódio isolado, representa o prenúncio de um mundo onde o antigo sistema liberal se desintegra perante a emergência de uma ordem multipolar carregada de simbolismos arcanos. A reordenação europeia, articulada por forças que se inspiram em visões gnósticas e perenialistas, revela-se, portanto, como um experimento arriscado: ao buscar reviver a grandeza dos impérios passados, ela arrisca submergir numa lógica de poder que contraria os fundamentos éticos e espirituais que sustentam a tradição católica.
Em última análise, o futuro da geopolítica dependerá de como essas forças norteadas por um antagonismo gnóstico – o materialista e o sagrado – conseguirão coexistir ou se confrontar, definindo não apenas o mapa político do mundo, mas também o destino moral e cultural de nossas sociedades.
