A immanentização do tempo, adotada como uma escolha soberba do agente que se proclama autor de suas próprias realizações, resulta na transformação do ser criado em executor de seus semelhantes. Ao atribuir ao tempo uma dinâmica autônoma e desvinculada de uma ordem superior, o indivíduo nega a presença e a ação da Graça – concebida como a intervenção transcendente de Deus na história – , posicionando-se, assim, em direta oposição ao Criador.
Essa postura, ao rejeitar a mão divina que orienta e regula o curso dos acontecimentos, instaura uma ruptura com os princípios de comunhão e harmonia que sustentam a ordem cósmica. Cada era, e cada instante, torna-se palco para o surgimento de uma nova Babel – símbolo de desordem e confusão – que evidencia a persistente tendência de fragmentação e hostilidade nas relações humanas. Em última análise, a renúncia à ação da Graça não apenas desafia a autoridade divina, mas também propicia a emergência de conflitos e a perpetuação de um ciclo de alienação e opressão entre os indivíduos.
