Em meio ao crescente interesse por liturgias tradicionais e doutrina sólida, um fenômeno preocupante se alastra: líderes e influenciadores que, após anos mergulhados em seitas gnósticas, maçonaria e ocultismo, apresentam-se como “guardiões da verdadeira fé”, ao mesmo tempo que semeiam desconfiança contra o Papa e a Igreja Católica. Suas biografias espirituais – marcadas por iniciações esotéricas – não são credenciais de autoridade, mas sinais de alerta. Estem riscos graves de seguir tais figuras, cujas raízes na rebelião espiritual frequentemente apontam para a rejeição ao Sucessor de Pedro. Há uma hierarquia das coisas – e isso soa ofensivo pra quem já andou de túnica e incensou Mercúrio retrógrado.
O problema não está somente em seu passado, mas em como sua formação esotérica contamina seu presente. A mentalidade de “Iniciado”, acostumada a hierarquias secretas e “verdades reservadas”, tende a ver a Igreja como uma instituição a ser conquistada, não como Corpo de Cristo. Muitos trazem a rebelião como hábito. A maçonaria, por exemplo, ensina a desconfiar de toda autoridade exterior – um vício que explica por que muitos desses líderes promovem sedevacantismo ou atacam o Papa atual. Suas interpretações da Tradição frequentemente misturam símbolos católicos com resíduos gnósticos (ex.: visões dualistas do bem/mal, obsessão por “elites espirituais”). Alguns parecem estar numa encruzilhada entre o Salmo e o sigilo, entre Sao Pedro e John Dee, entre a Cruz e o compasso.
Muitas vezes, a história do “neófito convertido” repete, em escala humana, o drama de Satanás, com orgulho dissfarçado de zelo. Lúcifer caiu não por ignorância, mas por se julgar mais puro que Deus: “Subirei ao céu, serei como o Altíssimo”. Da mesma forma, grupos que se autoproclamam “únicos verdadeiros católicos” agem como se a Igreja dependesse deles para sobreviver. Existe ainda a questão da “tentação do segredo”. A gnose sempre prometeu “conhecimento reservado aos eleitos”. Hoje, essa mentalidade ressurge em teorias de conspiração contra o Vaticano ou na ideia de que a verdadeira Tradição está escondida em livros raros e círculos fechados. Satanás recusou-se a servir; os rebeldes ao papado recusam-se a obedecer. Ambos quebram a unidade do Corpo de Cristo.
Para não ser enredado por esses “guias” problemáticos, vocês devem desconfiar de convertidos que desprezam a misericórdia.
Muitos ex-ocultistas, traumatizados por seus pecados, projetam seu rigorismo autodestrutivo na Igreja. Promovem um catolicismo sem alegria, onde a culpa substitui a graça. Lembre-se: a verdadeira Tradição é encarnacional, não uma abstração gnóstica. Ela inclui o Papa, os sacramentos e o perdão.
Rejeite a “Tradição que odeia o Papa” pois Cristo fundou a Igreja sobre Pedro, não sobre blogueiros carismáticos ou gurus litúrgicos de Centros que se arrogam da tradição. Como alertou São João Crisóstomo: “O caminho para o inferno está pavimentado com as boas intenções daqueles que julgam a Igreja em vez de servi-la”.
Busquem a Santidade pois a Igreja venera santos que combateram heresias sem jamais romper com a comunhão papal. São Francisco enfrentou crises na Igreja medieval sem deixar de obedecer a Inocêncio III. Santa Catarina de Siena repreendeu papas fracos, mas morreu defendendo o primado de Roma.
A Verdadeira Tradição é humilde. Aos católicos seduzidos por líderes rebeldes, recordamos: Satanás caiu por querer ser mais do que era. A humildade, porém, é a marca dos santos, e isso passa por aceitar que a Igreja, mesmo com suas crises, é guiada pelo Espírito Santo. Reconheçamos que a Tradição não é um tesouro a ser “recuperado” por iluminados, mas um dom recebido na comunhão com Roma.
Que a fé desses “ex neófitos” seja fundada na Rocha, como a de São Pedro, não a dos ritos que abandonaram.
