Em um cenário que mais parece ter saído de um roteiro de ficção científica, uma nova agência, a DOGE, liderada por Elon Musk, emergiu com força total, assumindo praticamente todo o controle das empresas e agências públicas do país mais poderoso do mundo e, com isso, tornando-se a maior corporação do mundo.
A narrativa que se desenha envolve conexões obscuras, alianças inusitadas e uma série de retaliações que prometem reconfigurar as relações de poder tanto no cenário internacional quanto no solo brasileiro.
A ascensão de Musk, após consolidar seu império tecnológico e comercial, passa a comandar a Corporação DOGE – uma agência com o poder de confiscar propriedades e assumir o controle de órgãos estratégicos, como Serviços Secretos, Agências de Inteligência, infraestruturas militares como o Pentágono (que gerencia a maior máquina de guerra do mundo), Partidos Políticos e instituições de educação, saúde e infraestrutura de abastecimento, contando com todas as informações desses órgãos.
Essa concentração de poder em mãos privadas, amparada por uma rede de influências – que inclui figuras como Peter Thiel, um dos membros proeminentes da chamada “Máfia do PayPal” – cria um ambiente propício para a intervenção direta em políticas estatais e relações internacionais. Nesse contexto, a DOGE se apresenta não apenas como uma empresa, mas como uma entidade capaz de reescrever as regras do jogo político e econômico mundial.
Embora pareça divertido imaginar as retaliações contra o governo brasileiro e nosso judiciário que se envolveu em polêmicas com o Musk, o cenário é preocupante. Não bastassem as bravatas do presidente Lula, da primeira dama e de vários parlamentares, o judiciário também se lambuzou. Além de imprimir censura ao Twitter e bloquear os recebimentos da StarLink, a empresa de streaming de vídeos Rumble também foi impedida de funcionar no Brasil. Como não há nada ruim que não possa piorar, a Rumble recebeu investimentos de Peter Thiel e JD Vance, atual vice presidente norte-americano, tornando-se parte do conglomerado do grupo que controla a maia poderosa nação do mundo. Em 14 de dezembro de 2021, o Trump Media & Technology Group (TMTG) anunciou que firmou um “amplo acordo de tecnologia e serviços em nuvem” com a Rumble em uma declaração que também afirmava que a Rumble operaria parte da Truth Social,rede social do Presidente norte-americano Donald Trump, bem como da TMTG.
O cenário pode gerar uma retaliação econômica e financeira pois, com a DOGE assumindo o controle dos principais ativos estatais, é possível imaginar sanções e a retirada de investimentos estratégicos do país. Uma manobra econômica dessa magnitude poderia afetar setores-chave da economia brasileira, provocando desde crises cambiais até a desestabilização de mercados locais. Além disso, com o domínio sobre grandes plataformas de mídia digital, como a Rumble, Twitter e até boa parte das grandes empresas de mídia corporativa que eram financiadas por agências americanas, pode permitir a Musk empregar estratégias de guerra cibernética. Ataques direcionados à infraestrutura digital brasileira, bem como a manipulação de narrativas nas redes sociais e na mídia mainstream, podem ser utilizados para desestabilizar o ambiente político e social do país. Isso também não impede que ocorram intervenções políticas e pressão diplomática, com o respaldo – ou mesmo o embate – de instituições influentes do “deep state” americano, incluindo o Pentágono e a USAID, a retaliação pode se dar na esfera diplomática. Cortes de apoio, alianças estratégicas recalculadas e pressões para que o Brasil se alinhe a determinadas agendas podem ser táticas para isolar o país em fóruns internacionais.
Um dos pontos centrais dessa narrativa é o embate entre Musk e o que se denomina “deep state” americano – um complexo de instituições tradicionais, dentro das quais se encontram o Pentágono e a USAID. Segundo essa linha de raciocínio, cada ato de censura ou controle imposto por autoridades estatais, como o episódio com o ministro Moraes, representa um desafio direto à autonomia e ao poder das novas forças emergentes. A retaliação, nesse sentido, não seria apenas contra um país específico, mas um movimento estratégico para reconfigurar a balança de poder global. A ideia de que Musk utiliza suas conexões e seu poder financeiro para agir também contra instituições consideradas “arcaicas e burocráticas” sugere uma nova era, em que corporações e governos passam a conviver – ou mesmo se confrontar – em um território híbrido de decisões políticas e interesses empresariais.
Se tais retaliações se concretizassem, o impacto geopolítico seria profundo. A emergência de uma entidade como a DOGE pode sinalizar o início de uma nova era, na qual a distinção entre Estado e corporação se torna cada vez mais tênue. Para o Brasil, a resistência a esse novo paradigma pode significar não apenas dificuldades econômicas e tecnológicas, mas também um reposicionamento forçado no cenário internacional. O desafio, portanto, seria duplo: por um lado, conter o avanço de uma lógica corporativa que utiliza o poder para impor mudanças radicais; por outro, buscar formas de diálogo e adaptação frente a um adversário que não é tradicional, mas que se apoia em redes globais de influência e em estratégias de guerra híbrida.


