A Igreja Católica JAMAIS relativiza as Escrituras – pelo contrário, venera-as como Palavra de Deus inspirada (2Tm 3:16). Porém, não se devem confundir três realidades distintas: Cristo, as Escrituras e a Autoridade da Igreja

Jesus citou o Antigo Testamento (AT) porque era a Escritura existente em Seu tempo, mas também instituiu uma Igreja com autoridade para interpretá-la e transmitir a Revelação completa (Mt 16:18-19; 28:19-20). Exemplos:

– O Novo Testamento (NT) NÃO existia quando Jesus disse “está escrito” (γεγραπται). Os evangelhos e cartas foram escritos pela Igreja, sob inspiração do Espírito Santo (Jo 14:26).

– Paulo escreveu: “Permanecei firmes nas tradições que aprendestes, por nossas palavras ou por carta” (2Ts 2:15). Ou seja, a Tradição apostólica PRECEDE e FUNDAMENTA o NT.

Quando Jesus condenou “Tradições Humanas” (Mc 7:6-9), condenou tradições humanas que contradizem a Lei divina, como o “korban” (Mc 7:11) que invalidava o 4º mandamento, não a Tradição apostólica. A Igreja Católica rejeita igualmente inovações humanas, mas defende a Tradição sagrada, que é bíblica – Paulo ordena: “conservai as tradições” (1Cor 11:2; 2Ts 3:6) e guarda verdades não explícitas no NT. Exemplos: a Trindade, o cânon bíblico, a maternidade divina de Maria.

Em 1 Coríntios 4:6, quando Paulo diz “não ultrapasseis o que está escrito”, refere-se à arrogância dos coríntios, não à rejeição da Tradição. Ele mesmo ensina: 
1- Doutrinas recebidas por Tradição: Eucaristia (1Cor 11:23), Ressurreição (1Cor 15:3). 
2- Autoridade da Igreja: “Igreja do Deus vivo, coluna e sustentáculo da verdade” (1Tm 3:15).

Cristo é o Logos, mas Ele fundou uma Igreja VISÍVEL para ser “a luz do mundo” (Mt 5:14). A Bíblia é parte da Tradição viva, não um livro caído do céu. Quem a separa da Igreja desobedece a Paulo: “Como crerão sem quem pregue?” (Rm 10:14). O próprio NT foi compilado pela Igreja Católica, seguindo o critério da Tradição apostólica. Rejeitá-la é rejeitar o alicerce do Novo Testamento. A Escritura é suficiente como fonte da Revelação, mas não como interpretação autossuficiente.

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