A Igreja Católica JAMAIS nega que Cristo é o único Mediador entre Deus e a humanidade (1Tm 2:5). No entanto, há uma distinção crucial entre

1. Mediação única e suficiente de Cristo (Hb 9:15): Só Jesus, como Deus e Homem, reconcilia a humanidade com o Pai pelo Seu sacrifício na cruz. Essa mediação é insubstituível e perfeita. 

2. Intercessão participada dos santos e da Igreja (Ap 5:8; 1Tm 2:1-4): Os cristãos, incluindo Maria e os santos, PARTICIPAM da mediação de Cristo como membros de Seu Corpo, rezando uns pelos outros. Isso NÃO rivaliza com Cristo, mas FLUI d’Ele e para Ele (Jo 15:5). A intercessão dos santos é como a de Paulo, que dizia: “Suplico-vos… que luteis comigo nas vossas orações” (Rm 15:30). 

– Quanto aos termos gregos –

1 – “Um só” (εἷς / heis): Indica exclusividade na essência, não na participação. Por exemplo:

– Cristo é o único Salvador (At 4:12), mas Paulo diz: “sofro por vós para completar o que falta às tribulações de Cristo” (Cl 1:24).
– Cristo é a única Luz (Jo 8:12), mas os discípulos são “luz do mundo” (Mt 5:14).

2 – “Mediador” (μεσίτης / mesitēs): 

Refere-se à reconciliação objetiva e redentora, algo que só Cristo realiza. Já a intercessão (1Tm 2:1) usa o termo ἔντευξις / enteuxis, que significa “súplica” e se aplica a todos os batizados (1Pd 2:9).

Portanto, “A intercessão dos santos não enfraquece a mediação única de Cristo, mas a manifesta” (CIC 969). A mediação da Igreja (sacerdotes, santos) não é concorrente, mas sacramental: age in persona Christi, como canais da graça d’Ele (2Cor 5:20). 1 Timóteo 2:5 não anula a intercessão, mas a fundamenta. Cristo é a fonte, os santos e a Igreja são rios que dela brotam. Negar isso seria como dizer que, porque “só existe um sol” (Gn 1:16), a lua e os planetas não refletem sua luz. Não se deve confundir unicidade com isolamento.

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