Desde sua fundação, o Facebook/Meta funcionou como uma peça do aparato de vigilância do estado de segurança nacional dos Estados Unidos (NatSec). A plataforma integra uma rede Orwelliana de monitoramento e “pré-crime” que evoluiu a partir de projetos iniciados no pós 11 de setembro, especialmente o programa LifeLog, desenvolvido pela DARPA. Este programa, que possuía objetivos alarmantemente similares aos do Facebook, merece escrutínio à luz de suas conexões com o complexo militar e de inteligência dos EUA.
Em 1984, George Orwell cunhou o termo “crime de pensamento”. No romance 1984, de Orwell, o conceito de “crime de pensamento” é semelhante à ideia de “pré-crime”. “Crime de pensamento” é um termo usado para descrever pensamentos ilegais que podem ser punidos pelo regime, como pensamentos pessoais e políticos que não são aprovados e sua punição feita pela Polícia do Pensamento. O termo “pré crime” foi cunhado pelo autor Philip K. Dick e usado na literatura acadêmica para criticar a tendência de sistemas de justiça criminal se concentrarem em crimes ainda não cometidos. A Polícia do Pensamento é a polícia secreta da Oceânia, que monitora os cidadãos e pune os que cometem “crimes de pensamento”. No conto “The Minority Report”, Philip K. Dick nos deu o conceito de “pré-crime”, descrevendo uma sociedade onde criminosos em potencial eram presos antes de poderem agir.
Após os atentados de 11 de setembro, a DARPA e a CIA desenvolveram o programa Total Information Awareness (TIA), um sistema de vigilância projetado para prever e prevenir crimes e ataques terroristas. Embora cancelado oficialmente, muitos de seus componentes foram mantidos sob sigilo ou transferidos para iniciativas privadas, como a Palantir, de Peter Thiel. Outros projetos ligados ao TIA ressurgiram mais tarde, sob novos pretextos, como o enfrentamento da pandemia de COVID-19.
Entre os desdobramentos do TIA, o LifeLog e o projeto PAL (Perceptive Assistant that Learns) foram cruciais. O PAL buscava desenvolver uma inteligência artificial avançada capaz de compreender e interpretar grandes volumes de dados para tomada de decisões. Já o LifeLog visava criar um registro completo da vida de indivíduos, compilando informações pessoais e comportamentais – uma visão que se concretiza hoje nas redes sociais.
A DARPA também explorava tecnologias como interfaces cérebro-máquina para alimentar a inteligência artificial com dados diretamente do cérebro humano, visando acelerar a evolução das máquinas. Esses esforços estavam conectados a pesquisadores e instituições de renome, como o MIT e a empresa Thinking Machines, financiada pela DARPA. Nomes como Marvin Minsky e Danny Hillis, pioneiros na inteligência artificial, tinham ligações próximas com Jeffrey Epstein, conhecido por sua rede de relacionamentos “não ortodoxos” mas também por suas contribuições ao transumanismo e por seus laços com a inteligência dos EUA.
Além disso, o alcance da DARPA ultrapassou o âmbito militar, influenciando até mesmo a educação. Elon Musk, um dos empresários mais associados à revolução tecnológica, baseou a metodologia de sua escola, Ad Astra (posteriormente Synthesis), nos princípios desenvolvidos pela DARPA. A abordagem educacional da Synthesis, que prioriza a resolução de problemas complexos, o pensamento crítico e a interdisciplinaridade, reflete as mesmas estratégias de treinamento e inovação exploradas pela agência para moldar especialistas e tecnologias revolucionárias.
O pesquisador do MIT David Karger previu que o cancelamento do LifeLog não seria o fim de suas ideias. Ele afirmou que tais pesquisas continuariam sob novos nomes e estruturas. Coincidentemente, ou não, o Facebook foi lançado exatamente no mesmo dia em que o Pentágono encerrou o LifeLog, levantando a questão: a maior rede social do mundo é, de fato, uma evolução disfarçada desse controverso programa?
Sobre Tecnocracia, Technate e Sinarquia [1].
