Um dos problemas mais graves envolvendo os supernumerários da Opus Dei é a metodologia empregada para construir alianças e comprar silêncio.
Infelizmente, nem mesmo os numerários escapam a essa dinâmica. Eles recebem uma formação excepcional em instituições de elite vinculadas direta ou indiretamente à Prelazia, como:
1. Pontifícia Universidade da Santa Cruz (Roma, Itália): Centro internacional de teologia e direito canônico, estratégico para formação de clérigos e líderes leigos.
2. Universidade de Navarra (Espanha): Fundada por São Josemaría Escrivá, é um pilar acadêmico global da Opus Dei, com destaque em direito, medicina e comunicação.
3. IESE Business School (Espanha): Instituto de Estudos Superiores da Empresa, ligado à Universidade de Navarra, com campi em Barcelona, Madri, Nova York, Munique e São Paulo. Parcerias com Universidade de Strathmore (Nairóbi), Universidade do Istmo (Guatemala), Universidad de los Andes (Chile) e Faculdade Bela Vista (Brasil).
4. ISE Business School: Colabora com o IESE, Universidade Austral (Argentina) e CEU Law School para programas executivos.
5. Universidad de Montevideo (Uruguai): Foco em negócios e direito, com forte ligação a elites econômicas.
6. Universidade de Piura (Peru): Referência em engenharia e gestão, com influência em políticas públicas.
7. Universidade de La Sabana (Colômbia): Centro de formação em comunicação e saúde, associado a redes conservadoras.
8. Universidade da Ásia e do Pacífico (Filipinas): Estratégica para influência em economias emergentes.
9. Universidade Campus Biomédico (Roma): Especializada em medicina e bioética, alinhada aos princípios da Prelazia.
10. Instituto Superior de Ciências de Enfermagem (Quinxassa, Congo): Projeto de expansão da influência em regiões africanas.
11. Centro de Estudos e Investigações Técnicas de Guipuzcoa (CEIT, Espanha): Parcerias tecnológicas com empresas e governos.
12. Centro de Investigação Médica Aplicada (CIMA, Espanha): Ligado à Universidade de Navarra, atua em pesquisa biomédica com financiamento privado.
13. ISSA (Instituto Superior de Secretariado e Administração, Espanha): Focado em formação executiva, com redes em multinacionais.
14. Faculdade Bela Vista (Brasil): Mantém parcerias com ISE Business School, IESE e CEU Law School para programas de especialização em direito e gestão, ampliando a rede de influência em setores estratégicos.
15. Faculdade Mar Atlântico (Rio de Janeiro): Instituição emergente administrada por supernumerários, com foco em conexões empresariais e políticas no eixo Rio-São Paulo.
O CEU Law School tem Ives Gandra Martins como presidente de honra, mas é administrada por supernumerários como Guilherme Doring (presidente do Jornal Gazeta do Povo) e Carlos Alberto Di Franco (conselheiro do Estadão), que usam a instituição para consolidar poder midiático e jurídico.
Tudo custeado por bolsas e apoio financeiro integral, garantindo inserção em carreiras estratégicas. Procurem, por exemplo, alguma redação em que a diretoria não seja majoritariamente formada no “Master em Jornalismo” da Universidade de Navarra – curso dirigido por Di Franco, peça-chave na formação de comunicadores alinhados à Opus Dei.
Será que alguém que recebeu tantos benefícios vai apontar falhas ou questionar posições éticas duvidosas? Nem precisam responder.
Sem mencionar os apoios jurídicos, acobertamentos e conivência. O Ministério Público está sob influência da Prelazia; se o Ministério do Trabalho pressiona sua empresa, eles têm a solução. Órgãos regulatórios, veículos de comunicação… Até mesmo inquéritos questionáveis, como o criado pelo MBL por meio de Ayan, que levou um ex-presidente ao banco dos réus, podem ter suas consequências atenuadas. Não que o alvo seja necessariamente culpado – trata-se de um processo político. O problema é que, um dia, alguém pode bater à sua porta para cobrar esse “favor”.
Naquele momento, você descobrirá o preço de sua consciência.




