Islã de Wakanda

Geralmente a aliança entre certos grupos muçulmanos e a esquerda radical não se baseia em teologia, mas em uma convergência tática contra símbolos ocidentais, alimentada por narrativas importadas de conflitos raciais americanos. A NOI é um caso emblemático de como uma seita pode ser instrumentalizada por agendas políticas. É comum grupos xiitas propagarem ideias de sunitas, salafitas, Wahhabitas (e vice-versa) somente com objetivo de degeneração da sociedade.

A NOI está enraizada em correntes esotéricas e organizações secretas. Seu precursor direto, o Templo da Ciência Mourisca, fundado por Noble Drew Ali já misturava simbolismo islâmico, maçonaria e ensinamentos herméticos. Drew afirmava ser a reencarnação de profetas como Maomé e até de Jesus, e seu “Círculo dos Sete Corões” plagiou textos rosacruzes e teosóficos, que alega acesso a “registros akáshicos”.

Os pais de Drew teriam sido iniciados por Jamal ud Din al-Afghani, figura associada à Irmandade Hermética de Luxor e aos “Mestres Ascensionados” de Helena Blavatsky, fundadora da Teosofia. Essa conexão com o ocultismo europeu e correntes como o sinarquismo de Saint-Yves d’Alveydre revela uma base ideológica que reinterpreta mitologias orientais e ocidentais para fins políticos.

Wallace Fard Muhammad, outro fundador da NOI, emergiu de um caldeirão esotérico. Nascido provavelmente na Nova Zelândia, filho de um paquistanês e uma inglesa, Fard ingressou na Sociedade Teosófica em São Francisco e na UNIA de Marcus Garvey antes de fundar a NOI. Sua doutrina era um retalho de:

– Islã superficial: Uso do Alcorão e termos árabes, mas reinterpretados (ex.: a divindade de Fard).
– Testemunhas de Jeová: Apocalipticismo e rejeição ao cristianismo tradicional.
– Gnosticismo e Ufologia: Crença em uma “Nave Mãe” construída por cientistas negros no Japão.
– Maçonaria Prince Hall: Estrutura hierárquica e rituais secretos.

Fard proclamava-se Allah em carne, ensinando que a raça branca foi criada por Yacub, um “cientista maligno”, e que os negros eram “deuses asiáticos”. Suas ideias ecoavam a Grande Fraternidade Branca de Blavatsky, mas invertida: os “Filhos de Deus” (Nephilim) eram agora os negros, associados a Shambhala, um mito teosófico.

A NOI ganhou notoriedade em 1932, quando Robert Karriem, seguidor de Fard, cometeu um assassinato ritual citando o livreto Rituais Secretos da Nação do Islã, que incitava a matar “infiéis”. Fard, preso, declarou-se “Governante Supremo do Universo” e foi internado em uma instituição psiquiátrica.

Essas alianças evidenciam que a retórica “antiocidental” da NOI não era apenas racial, mas estratégica, alimentada por interesses de grupos que buscavam desestabilizar a coesão social no Ocidente.

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