Muito bem lembrado por um amigo que “o professor Olavo dizia, com razão, que a Ciência Política era uma sub-disciplina da DEMONOLOGIA, dentro do corpo de estudos da Igreja Católica”. Desde então, ele ficou “com os dois pés atrás com todos esses assuntos envolvendo política, porque até então pareciam algo equivalente as questões administrativas/econômicas. Mas com o tempo deu pra perceber o quanto as pessoas mudavam ao se envolver nesse meio. Se a Ciência Política na perspectiva intelectual/espiritual (pra evitar usar o termo secular, acadêmico) é uma sub-disciplina da Demonologia, estudar Ciência Política é em boa parte lidar com material de origem demoníaca, por mais que não pareça pelo fato de estar banalizado pelo indiferentismo universitário”.
No âmbito acadêmico, as ciências políticas são frequentemente oferecidas como cursos de graduação e pós-graduação em universidades e instituições de ensino superior. Os cursos formam profissionais capacitados a atuar em áreas como administração pública, consultoria política, análise de políticas públicas, diplomacia, pesquisa acadêmica, e também em organizações não governamentais (ONGs) e internacionais.
Durante a Idade Média e períodos posteriores, principalmente na Europa cristã, a política era, em alguns casos, vista sob uma ótica moralista e teológica, onde o poder e a autoridade política poderiam ser associados a influências demoníacas ou forças malignas. Dentro da demonologia cristã, que estuda a natureza e as ações dos demônios, havia a ideia de que o mau uso do poder político, a corrupção e a tirania poderiam estar sob a influência de forças demoníacas. Teólogos e filósofos medievais, como São Tomás de Aquino e outros, discutiam a relação entre o poder temporal (político) e o poder espiritual (religioso), alertando para o perigo do poder político ser corrompido por tentações malignas. Embora isso não fosse um estudo sistemático da ciência política em si, havia uma conexão em que as realidades políticas e espirituais eram interpretadas de forma entrelaçada.
No entanto, no contexto moderno e acadêmico, essa perspectiva foi abandonada. A ciência política se tornou um campo de estudo secular e autônomo, enquanto a demonologia, no âmbito religioso, se restringiu aos estudos sobre o mal do ponto de vista teológico e pastoral, sem relação direta com a análise política contemporânea.
Embora a Igreja Católica ainda reconheça a importância do estudo das ciências políticas, passou da perspectiva da demonologia para dentro do contexto da DSI (Doutrina Social da Igreja) que, mesmo que entenda que a política é um campo legítimo e necessário para promover o bem comum e garantir a justiça social, deixou de ter uma visão centralizada na metafísica e passou a ter uma visão orientada por princípios éticos e morais.
Maquiavel, Bodin, Montesquieu, Comte, Tocqueville, Marx são, principalmente, reflexos dessa alteração de cosmovisão.