Puharich e o Conselho dos Nove

O conceito de nove líderes lendários desempenha um papel importante no sinarquismo. A Irmandade Polaires (de Guénon), que compartilhava extensas ligações com os sinarquistas, afirmava ter canalizado uma irmandade Rosacruz de nove Superiores Desconhecidos que haviam migrado de Thule para Shambhala no Tibete. O Grão-Mestre da Fraternidade Polaires foi Victor Blanchard, que fundou a Ordre Martiniste et Synarchique (OMS), da qual surgiu o Mouvement Synarchique d’Empire (MSE), que foram expostos no Relatório Chavin como os conspiradores sinarquistas por trás do regime de Vichy. Andrija Puharich – um amigo de Aldous Huxley, que estava conectado com os sinarquistas por meio de sua amizade com Jean Coutrot, líder do MSE e suposto autor do Pacto Sinarquista – realizou experimentos psíquicos em nome do MK-Ultra da CIA programa que estabeleceu contato com um grupo de entidades desencarnadas que se autodenominavam Conselho dos Nove.

O principal meio de Puharich para contatar o Conselho dos Nove foi o agente do Mossad e dobrador de colheres Uri Geller, que confirmou que eles estavam por trás do aumento na atividade de OVNIs, começando com o avistamento de Arnold em 1947. Puharich também esteve no Brasil e acreditava que Geller era uma reencarnação de José Arigó, médium brasileiro que fazia “cirurgias espirituais” sob influência de um espírito chamado Dr Fritz, o mesmo que se manifesta no famoso médico condenado João de Deus. Em 24 de junho de 1947, Kenneth Arnold, um empresário americano de Boise, Idaho, relatou o avistamento de dez discos brilhantes sobre as Montanhas Cascade enquanto voava em seu avião particular perto do Monte Rainier, no oeste de Washington. De acordo com Arnold, “eles voavam como um disco voador se você o saltasse sobre a água”. Embora tenha havido avistamentos de “bolas de fogo” (apelidadas de “foo fighters”, igual a banda famosa) por pilotos de caça da Segunda Guerra Mundial, ou charutos e objetos em forma de disco, como a onda de “foguetes fantasmas” escandinavos, a pesquisa de Robert Bartholomew e George Howard mostrou que antes de 1947, “não há um único episódio registrado envolvendo avistamentos em massa de objetos semelhantes a discos”.

Puharich admitiu que seus primeiros experimentos em sua Fundação Mesa Redonda foram inspirados pela leitura das obras teosóficas de Alice Bailey, que desempenhou um papel formativo na fundação das Conferências de Eranos, por meio de sua amizade com Olga Froebe-Kapteyn. Puharich também recebeu o apoio do ex-vice-presidente Henry Wallace, que foi aluno do ocultista Nicholas Roerich. A onda de avistamentos sinalizou o que Alice Bailey chamou de “Externalização da Hierarquia”, quando a Hierarquia Espiritual ou Shambhala – em outras palavras, os Anjos Caídos – se darão a conhecer, anunciando o alvorecer da Era de Aquário e o estabelecimento de uma governo mundial liderado por “Jesus Cristo, o Avatar” nas Nações Unidas. Esses eventos foram preditos a Bailey por seu “Mestre Ascenso” Djwahl Khul, a quem Carl Jung interpretou para seu eu superior, que também é um conceito bem utilizado no Material de Rá. Jung também acreditava que a onda de relatórios anunciava uma transformação de arquétipos resultantes do início da Era de Aquário. Em um de seus últimos livros, Flying Saucers: A Modern Myth of Things Seen in the Sky (1958), Jung argumentou que as estranhas formas circulares voadoras eram mandalas do espaço sideral, “projeções” formadas pela tensão psíquica produzida pela Guerra Fria, e sugeriu que uma mudança coletiva na consciência humana estava a caminho.

Esse grupo de entidades extraterrestres que Puharich fez “contato” e que se autodenominavam O Conselho dos Nove, eram nove entidades desencarnadas que afirmavam ser a Enéada, os nove deuses adorados pelos antigos egípcios. Na mitologia grega, quando Prometeu deu o fogo à humanidade, um furioso Zeus o acorrentou a uma rocha e para punir a humanidade, ele e outras oito divindades se reuniram para formar o Conselho dos Nove. Os membros do conselho eram Afrodite, Apolo, Atena, Deméter, Hefesto, Hera, Hermes, Poseidon e Zeus. Juntos, esse conselho criou Pandora e a enviou como presente a Epimeteu, que foi instruído a nunca abri-la. Incapaz de conter sua curiosidade, ela abriu a caixa, liberando todos os infortúnios da humanidade. O número nove também lembra as Enéadas, as nove seções dos seis livros de Plotino, considerado o fundador do neoplatonismo. O que era distintivo no sistema de Plotino era a estrutura hierárquica unificada desses elementos e a teoria das dez emanações ou esferas divinas, correspondendo às dez Sephiroth do misticismo judaico e à Década Pitagórica. Para Pitágoras, o número Nove, a enéade, era considerado “o maior dos números da Década” pois “tudo gira em torno dele” (talvez seja esse o referencial simbólico do logo da Nova Resistência). Albert Pike também registra uma lenda maçônica que liga especificamente o número nove a uma tradição estelar ligada a Sirius. Os “Nove Eleitos” são os aprendizes maçons que buscaram vingar a morte de seu Mestre, Hiram Abiff. Os Nove Eleitos são simbolizados pelo surgimento sequencial de nove estrelas brilhantes, incluindo as do cinturão de Orion, que precedem o surgimento de Sirius. Os Eleitos dos Nove são o nono grau da Maçonaria do Rito Escocês. Saint-Yves d’Alveydre acreditava que os Templários representavam a expressão máxima da sinarquia no mundo medieval. Saint-Yves também adaptou os “Superiores Desconhecidos” do rito Templário da Estrita Observância, expandindo o conceito para seres espiritualmente avançados do Tibete. Da mesma forma, a Irmandade Polaires consistia em um grupo central liderado por “Os Nove”, escolhidos com a ajuda do Oráculo da Força Astral. Parte do trabalho de Alice Bailey, conforme instruído a ela por seu “Mestre”, o tibetano Djwhal Khul, era estabelecer uma série de discípulos que seriam conhecidos como os Grupos dos Nove.

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