
“DEIXAI TODA ESPERANÇA, VÓS QUE ENTRAIS!”
Canto III, Divina Comédia.

No dia 23 de agosto a missão Indiana de exploração lunar pousou na superfície lunar. Desta vez um feito inédito e extremamente simbólico também pode ser destacado, o primeiro pouso no CONE sul, digo, polo sul do “lado oculto” da lua.

Primeiro eu gostaria de destacar a simbologia da data de lançamento da missão, dia 14 de Julho de 2023, exatamente o dia do 234° aniversário da queda da TORRE [1] da Bastilha durante a Revolução Francesa. Embora a Bastilha, fortaleza medieval utilizada como prisão, contivesse apenas sete prisioneiros na época, sua queda é tida como um dos símbolos daquela revolução, e tornou-se um ícone da República Francesa. Na França, o quatorze juillet (14 de julho) é um feriado nacional, conhecido formalmente como Festa da Federação, conhecido também como Dia da Bastilha em outros idiomas. Antigos ideais da tradição e da hierarquia de monarcas, aristocratas e da Igreja Católica foram abruptamente derrubados pelos novos princípios de Liberté, Égalité, Fraternité (em português: liberdade, igualdade e fraternidade). Um dos catalisadores da revolução francesa foi O Caso do colar de diamantes, ou Caso do colar da rainha, um sórdido incidente ocorrido por volta de 1785 na corte de Luís XVI de França, envolvendo involuntariamente a rainha Maria Antonieta e danificando muito a sua reputação às vésperas da Revolução. O caso envolveu o cardeal de Rohan, que teria se apaixonado por Maria Antonieta, mulher de Luís XVI de França. A condessa Jeanne de Valois de la Motte e Cagliostro teriam convencido o cardeal de que teriam meios de fazê-lo cair nas boas graças da rainha. Maria Antonieta desprezava Rohan desde que sua mãe, a imperatriz Maria Teresa de Áustria, dera em Versalhes a notícia da vida dissoluta e dos gastos que o cardeal fazia em Viena. “Ironicamente”, o local que seria colocado o colar de diamantes na rainha Maria Antonieta, seu pescoço, foi onde sofreu o golpe fatal. Segundo Alexandre Dumas Pai, em sua coleção Memórias de um Médico, José Balsamo, também conhecido como Cagliostro foi outro catalisador do processo revolucionário, tendo solicitado uma grande reunião para se apresentar como o Grão-Copta da maçonaria e arruinar as finanças da monarquia católica francesa com o apoio durante a Revolução Americana, processo que começa com a senha que deu inicio ao processo revolucionário na França e Estados Unidos era L.P.D. – Lilia Pedibus Destrue – Destruir os Lirios com os Pés. O lirio era o símbolo da monarquia francesa, inclusive utilzado por São Luís de França durante as Cruzadas. Outro Santo que tem uma simbologia muito ligada ao lirio é São José. Os Arautos do Evangelho, que utilizam o lirio como símbolo espalhada por toda sua ornamentação pisam no chão após rezarem o Terço, simbolizando Maria pisando na cabeça da serpente, o que talvez seja uma resposta ao ímpeto revolucionário pagão. A ideia de destruir o lirio (símbolo de pureza) também tinha como objetivo implantar a simbologia do Lotus, flor que nasce no pântano e na revolução francesa existiam também os membros do parlamento que eram chamados pântano e os montanheses, como Robespierre. O lotus também é representação dos Chakras, principalmente do Chakra que fica na garganta. Para os seguidores do Tantra, é a ligação do mundo espiritual com o terreno. A guilhotina, junto com a racionalidade do iluminismo, representaram esse rompimento. Uma pequena curiosidade para sairmos da Revolução Francesa é que a música Meu Bem, Meu Mal, de Caetano Veloso [2] é sobre José Balsamo, ou Cagliostro.



Passando agora para o simbolismo do lado oculto da lua, podemos fazer primeiro a associação com os nodos lunares. Nodos lunares são dois pontos imaginários no céu que marcam o encontro do plano de órbita da Terra com o plano de órbita da Lua – chamada de eclíptica (já que na verdade a Terra é que gira em torno do Sol). A astrologia tradicional não costuma dar ênfase na análise destes pontos e sim as vertentes mais modernas ao longo da história, principalmente a astrologia védica. O amigo Márcio Sakuma explicou que os nodos lunares (os dois em conjunto) simbolizam pessoas socialmente desajustadas, os delinquentes e os andarilhos. Se os outros planetas se relacionam a alguma das quatro castas do hinduísmo (Júpiter e Vênus se relacionam com os Brâmanes, Sol e Marte com os Kshatryas, Mercúrio e Lua com os Vaishyas, e Saturno com os Shudras), os nodos são os Párias, que não se encaixam em nenhuma casta e o Kali Yuga, que segundo a crença ocorre a cada 432.000 anos (234, como a quantidade de anos do aniversário da queda da Bastilha “polarizado”) [3] se caracteriza por haver essa confusão de castas, em que as pessoas simplesmente não sabem a que vieram, resultando nessa explosão de párias que há hoje em dia. Na astrologia hindu, os nodos lunares tem Rahu, o nodo norte, e Ketu, o nodo sul, também conhecidos como “pontos de eclipse” enquanto, no ocidente, são conhecidos como “Cabeça” e “Cauda” do Dragão, respectivamente, não tendo a mesma importância que têm na Índia. Segundo a lenda, antigamente só havia Rahu, um poderoso ser, filho da Lua (mas odiado por ela) que queria se tornar um deus luminoso como os outros do panteão hindu. Rahu é mencionado nos textos purânicos. Os contos começam nos “períodos mais remotos dos primórdios dos tempos, quando os devas e asuras agitavam o oceano de leite para extrair dele o amrita, o elixir da imortalidade”. Mohini, o avatar feminino de Vishnu, começou a distribuir amrita aos devas. Contudo, um dos asuras, Svarbhanu, sentou-se na fileira dos devas e bebeu a amrita. Sri Surya, o avatar do Sol e Chandra notaram ele e informaram Mohini; entretanto, nessa época, Svarbhanu já havia se tornado imortal. Vishnu, como Mohini, cortou a cabeça de Svarbhanu com seu disco, o Sudarshana Chakra (um disco com uma imagem de uma flor de lotus, assim como Vishnu segura uma lotus em uma de suas quatro mãos). Svarbhanu, doravante referido como Rahu e Ketu, não poderia morrer, mas sua cabeça foi separada de seu corpo; sua cabeça passou a ser conhecida como Rahu, enquanto seu corpo passou a ser conhecido como Ketu. Após este evento, Rahu e Ketu ganharam o status de planetas, podendo influenciar a vida dos humanos na Terra . Rahu e Ketu tornaram-se inimigos ferrenhos de Surya (Sol) e Chandra (Lua) por expor seu engano e levar à sua decapitação. Para isso, Rahu os persegue e tenta consumir o Sol e a Lua. Como Rahu é a cabeça sem o corpo, o Sol e a Lua saem de sua garganta quando ele tenta engoli-los. Este ciclo recorrente cria o grahana , um eclipse do Sol e da Lua, que representa a vingança temporária de Rahu. Assim, a cabeça sendo Rahu virou o CONE norte, enquanto o resto do corpo tornou-se Ketu, o CONE ou Nodo Lunar Sul. O simbolismo de Rahu é associado à ambição desmedida, à fixação por poder, a obsessões, ilusões e todo tipo de enganação ou de aparência enganadora, das mais sérias, nos altos escalões do poder, até as óbvias, como o ilusionismo e a indústria cinematográfica. Pense numa cabeça solta, vagando pelo espaço: ela não tem autonomia para girar, e só pode olhar para frente, numa única direção. Ketu já tem um simbolismo mais difícil de entender e de explicar. O principal é que ele se relaciona com o que os hindus chamam de “moksha”, a “libertação” ou o “escape”, tanto o escapismo daquele tipo motivado pelo spleen do movimento romântico, quanto o escape do ciclo de renascimentos, da Roda de Samsara, a ascensão definitiva para uma espécie de paraíso. Também se relaciona a cegueira, ou a “pontos cegos” em nossa vida, que não temos condições de ver por nós mesmos (já que não tem cabeça, Ketu não pode enxergar), além de ter uma ligação com reações automáticas do corpo ou compulsões e vícios que temos dificuldade em vencer (Ketu são os espasmos do corpo semimorto, no limiar entre a consciência e inconsciência, entre a vida e a morte).




Ligado ao mistério do lado oculto da lua, temos também a simbologia da Lua Negra, associada à deusa cabalística Lilith. A estrela Algol, também conhecida como a estrela de Lilith, encontra-se a cerca de 93 anos-luz e seu sistema é constituído por 3 estrelas e, novamente por coincidência, o pouso da sonda indiana na lua foi 9:33 – o que foi bastante destacado em todas as reportagens. A estrela marca na constelação a posição de um dos olhos de Medusa, a górgona decepada por Perseu e de cujo sangue irrompeu o cavalo alado Pégaso num dos mais famosos episódios da mitologia grega. No mito quem olhasse diretamente nos olhos da Medusa seria transformado em estátua de pedra, o que dá mais substância ao símbolo maligno da estrela Algol. O nome da estrela é uma corrupção do árabe ra’s al-ghūl, com o significado de “a cabeça do demónio”, que também é simbolizando por cabeça da serpente, que formava os cabelos da górgona. A Igreja Católica tem uma forte simbologia de oposição à cabeça da serpente, tendo Maria como a responsável por pisar em sua cabeça, ritual que os Arautos do Evangelho executam, como já citado. Algol também é considerada a estrela mais maligna do céu, é a expressão negativa máxima do nível de consciência. Associado a ela estão a desgraça, violência, decapitação, enforcamento, eletrocussão e tumultos. Lilith está presente tanto na Astrologia ocidental moderna quanto na Astrologia Védica. Nesta última, devido às inúmeras reencarnações, assume o nome de Rudrani, Kali, Durga, Nyrder, etc. No caso de Lilith, ela seria conhecida também como Rudrani, a esposa de Rudra (ou Shiva, deus da destruição da tríade principal do hinduísmo). Ambos são deuses muito antigos, que precedem a própria criação humana. Uma das explicações sobre o surgimento dessas entidades é que ambos foram criados por Brahma, o Deus da criação hindu. Primeiro veio Rudra, um ser hermafrodita e violento. A partir da determinação de Brahma, houve a separação do homem e da mulher, e com isso surgiu Rudrani, a versão feminina de Rudra, sendo ela dona de uma personalidade ainda mais feroz. Aqui chegamos a ligação com a mitologia judaica que também se reflete no ADAM-KADMON, o andrógeno primordial dos cabalistas, mas está relacionado à polarização sexual após a “queda”, que gerou os entes masculino e feminino também da serpente e que passaram a ser conhecidos como Samael e Lilith. Daí vem a adaptação da “Lilith da Babilônia”, a interpretação da mulher-serpente ou da “Lilith e Inanna”, deusa suméria da guerra e do prazer sexual e de Ishtah.




Algol está localizada na constelação de Perseu, que na mitologia grega foi, ao lado de Cadmo e Belerofonte, o maior herói grego e matador de monstros antes dos dias de Héracles/Hércules (O cerne da história de Hércules foi identificado como originário da cultura de caçadores neolíticos e das tradições de travessias xamânicas para o submundo). Perseu, como Apollo, foram heróis com características Solares. Perseu era filho de Zeus e Dânae, filha de Acrísio, rei de Argos. Decepcionado com a falta de sorte em ter um filho, Acrísio consultou o Oráculo de Delfos, que o avisou que um dia seria morto pelo filho de sua filha. Para manter Dânae sem filhos, Acrísio a aprisionou em uma câmara de bronze, aberta para o céu, no pátio de seu palácio. Zeus veio até ela na forma de uma chuva de ouro e gerou seu filho. Logo depois, nasceu seu filho, um homem – Perseu. Temendo pelo seu futuro, mas sem vontade de provocar a ira dos deuses matando a descendência de Zeus e sua filha, Acrísio lançou os dois ao mar em um baú de madeira. Mãe e filho desembarcaram na ilha de Sérifos, onde foram acolhidos pelo pescador Dictys (“rede de pesca”), que criou o menino até a idade adulta. O irmão de Dictys era Polidectes, o rei da ilha. Quando Perseu cresceu, Polidectes se apaixonou pela bela Dânae. Perseu acreditava que Polidectes não era nada honrado e protegeu sua mãe dele; então Polidectes conspirou para mandar Perseu embora em desgraça e conseguiu que Perseu prometesse que atenderia qualquer pedido dele, que exigiu a cabeça da única górgona mortal, Medusa, cujo olhar (Algol) transformava as pessoas em pedra. Zeus deu-lhe uma espada de adamantina (mesmo material usado no punhal que Cronos usou para castrar Urano) e o elmo das trevas de Hades para se esconder. Hermes emprestou a Perseu sandálias aladas para voar, e Atena deu-lhe um escudo polido. Perseu então seguiu para a caverna das Górgonas. Na caverna ele encontrou a Medusa adormecida e, ao ver o reflexo da Medusa em seu escudo polido, ele se aproximou com segurança e cortou sua cabeça. De seu pescoço surgiram Pégaso e Crisaor. Daqui ele visitou o rei Atlas, que lhe recusou hospitalidade; como vingança, Perseu o transformou em pedra (mostrando a Atlas a cabeça decepada) e o rei Atlas tornou-se as montanhas do Atlas, que fica na cordilheira do Magrebe, no Norte da África separando o Deserto do Saara do Mar Mediterrâneo e do Oceano Atlântico; o nome “Atlântico” é derivado da cordilheira.
Em breve enviarei a continuação, até chegar na Noomaquia de Alexander Dugin.
[1] Torre 2
https://rascunhos.data.blog/2023/04/05/babel/
[3] https://rascunhos.data.blog/2023/04/06/simbolos-numeros-esfinge-horus-edipo-enigma-guenon/