Serviços de inteligência e Midia

O Twitter, alvo do Elon Musk, tem estado em uma campanha de recrutamento ultimamente, contratando uma série de ex-Federais e espiões. Estudando vários sites de emprego e recrutamento dá pra perceber que nos últimos anos, o passarinho recrutou dezenas de funcionários do estado de segurança nacional para trabalhar nas áreas de segurança, confiança e conteúdo.

A maior parte dos contratados vem do Federal Bureau of Investigations. O FBI é, geralmente, conhecido como uma força de segurança e inteligência doméstica. No entanto, recentemente expandiu sua missão para o ciberespaço.

O aplicativo com sede na Califórnia também recrutou fortemente do Atlantic Council, uma organização da OTAN que atua como centro de estudos da aliança militar. O conselho é  patrocinado  pela OTAN, liderado por generais seniores da OTAN e regularmente  apresenta  cenários de mudança de regime em estados inimigos dos EUA, como a China.

– Mas qual é o problema com o Twitter recrutando ativamente do FBI, CIA e outras agências de três letras (afinal, eles são especialistas em estudar desinformação e propaganda online)?

Primeiro é que afeta a confiança, segurança e moderação de conteúdo (se um aplicativo de mídia social de propriedade russa fosse administrado por ex-agentes da KGB ou FSB e ainda insistisse que era uma plataforma politicamente neutra, o mundo inteiro riria).

Mas, além disso, o enorme influxo de funcionários do estado de segurança nas fileiras de tomada de decisão do Twitter significa que a empresa começará a ver todos os problemas da mesma maneira que o alto funcionalismo do governo dos EUA (o tal Deep State) – e agir de acordo.

Assim, ao policiar a plataforma para campanhas de desinformação e influência, os ex-agentes do FBI e da CIA e membros do Atlantic Council só parecem encontrá-los emanando de estados inimigos e nunca do próprio governo dos EUA. Isso ocorre porque suas origens e perspectivas os condicionam a considerar Washington uma força única para o bem.

Embora alguns possam estar alarmados com o fato de o Twitter estar cultivando um relacionamento tão íntimo com o FBI e outros grupos pertencentes ao estado secreto, talvez seja injusto destacar isso, já que muitas plataformas de mídia social estão fazendo o mesmo. O Facebook, por exemplo, firmou uma parceria formal com o Digital Forensics Research Lab do Atlantic Council, onde este detém influência significativa sobre os feeds de notícias de 2,9 bilhões de usuários, ajudando a decidir qual conteúdo promover e qual conteúdo suprimir. A organização de recorte da OTAN agora  serve  como “olhos e ouvidos” do Facebook, de acordo com um comunicado de imprensa do Facebook. A gigante da mídia social também contratou o ex-secretário de imprensa da OTAN Ben Nimmo para ser seu chefe de inteligência.

Da mesma forma, em 2017, o site de agregação de conteúdo Reddit escolheu Jessica Ashooh da Força-Tarefa de Estratégia do Oriente Médio do Atlantic Council para se tornar sua nova diretora de políticas, apesar de ela ter poucas qualificações ou experiência relevantes na área.

Também na mídia corporativa, vimos uma infiltração generalizada de ex-funcionários de segurança nos escalões superiores das organizações de notícias. Tão normalizada é a penetração do estado de segurança nacional na mídia que poucos reagiram em 2015, quando Dawn Scalici deixou seu emprego como Gerente de Inteligência Nacional para o Hemisfério Ocidental no Escritório do Diretor de Inteligência Nacional (ODNI) para se tornar a diretora de negócios globais do conglomerado de notícias internacionais Thomson REUTERS (ela também havia trabalhado no Comitê de Inteligência na AFCEA das Forças Armadas e no Conselho de Segurança Interna da INSA). Scalici, uma veterana de 33 anos da CIA que trabalhou para se tornar diretora da organização, foi aberta sobre qual era seu papel. Em uma publicação no site da Reuters, ela escreveu que estava lá para “atender às necessidades díspares do governo dos EUA” – uma declaração que está, obviamente, em desacordo com os conceitos jornalísticos mais básicos de imparcialidade (link nos comentários).

Enquanto isso, os canais de notícias a cabo empregam rotineiramente uma ampla gama de “ex-agentes” como personalidades e especialistas confiáveis. Estes incluem os ex-diretores da CIA John Brennan (NBC, MSNBC) e Michael Hayden (CNN), o ex-diretor de Inteligência Nacional James Clapper (CNN) e o ex-conselheiro de segurança interna Frances Townsend (CBS). E as notícias para tantos americanos chegam através de ex-estagiários da CIA como Anderson Cooper (CNN), ou por Mika Brzezinski (MSNBC), a filha de Zbigniew Brzezinski (link nos comentários) uma das pessoas mais influentes do mundo, membro do CFR, Comissão Trilateral (cofundador em conjunto com David Rockefeller), e outros grupos com pautas secretas, além de ter sido poderoso conselheiro de segurança nacional. O FBI também tem seus próprios ex-agentes na TV, com nomes como James Gagliano (Fox), Asha Rangappa (CNN) e Frank Figliuzzi (NBC, MSNBC) se tornando nomes conhecidos.

O estado de segurança nacional costumava se infiltrar na mídia. Hoje, no entanto, o estado de segurança nacional é a mídia.

Sequência de imagens obtidas do LinkedIn:

Referências:

https://en.m.wikipedia.org/wiki/Zbigniew_Brzezinski

https://www.thomsonreuters.com/en-us/posts/authors/dawn-scalici/

Clique para acessar o CIA-RDP75-00149R000300140001-6.pdf

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