

Ideias parecidas com a do link da publicação no Blog do Neto Curvina (nas referências) vieram depois repetidas vezes como por Luís XIV que reinou durante um período de prosperidade sem precedentes em que a França se tornou a potência dominante na Europa e líder nas artes e ciências. Adepto do conceito do direito divino dos reis, Luís continuou o trabalho de seus predecessores de criar um estado centralizado governado a partir de Paris, a capital. Sua citação mais famosa é sem dúvida L’Etat, c’est mói (“Eu sou o Estado”). Luís XIV escolheu o sol como sua insígnia real. O sol é o símbolo de Apolo, deus da paz e das artes. O Palácio de Versalhes está repleto de representações e alusões alegóricas ao deus sol e houve um famoso balé onde ele atuou como Apolo.
A base místico-científica na preparação pra o ideal do Rei Sol é bem interessante também. Muito foi influenciado pelas alterações trazidas das ideias de mudança cultural do heliocentrismo de Copérnico defendido por Galileo. Um dos defensores de Galileu foi Tommaso Campanella, autor do livro Cidade do Sol e que profetizou na corte que Luís XIV, le Roi Soleil (“o Rei Sol”), construiria a “Cidade do Sol” egípcia.
Campanella sofreu influência das ideias de cidade utópica de Thomas More que escreve Utopia (retratava uma sociedade planificada onde U – nenhum; topia – topos, lugar que era uma sátira, mas teve gente que levou a sério), Hobbes e François Rabelais.
Hobbes no Leviathan parte de uma compreensão mecanicista dos seres humanos e das paixões, postulando como seria a vida sem governo, uma condição que ele chama de “estado de natureza”. Nesse estado, cada pessoa teria o direito, ou licença, de fazer o que quisesse. Isso, argumenta Hobbes, levaria a uma “guerra de todos contra todos” (bellum omnium contra omnes). Como tal, se os seres humanos desejam viver pacificamente, eles devem abrir mão da maioria de seus direitos naturais e criar obrigações morais para estabelecer a sociedade política e civil. Esta é uma das primeiras formulações da teoria do governo conhecida como “contrato social”. Hobbes concluiu que as pessoas não seguirão as leis da natureza sem antes serem submetidas a um poder soberano, sem o qual todas as ideias de certo e errado não têm sentido: “Portanto, antes que os nomes de justo e injusto possam ter lugar, deve haver algum poder coercitivo, para obrigar os homens igualmente ao cumprimento de seus Convênios”. Hobbes também é conhecido por seu apoio ao absolutismo, fundado em um pessimismo enraizado no pensamento de Sarpi. Sarpi afirmava que existia em cada indivíduo o que ele chamava de libido dominandi, um apetite insaciável que inevitavelmente corrompe a humanidade.
A dialética pra sintetizar a necessidade de tal estado se forma com Rabelais escrevendo Gargântua e Pantagruel que conta as aventuras de dois gigantes, Gargântua e seu filho Pantagruel, escrito em uma veia satírica descolorida e apresenta muito humor e violência grosseiros e obscenos sobre a Abadia de Thélème, construída pelo gigante Gargântua, onde a única regra é “fay çe que vouldras” (“Fais ce que tu veux”, ou “Faça o que tu queres”), que influenciou também o movimento Thelema de Aleister Crowley e a cultura pop brasileira. A palavra “thelema” é rara no grego clássico, onde “significa a vontade apetitiva: desejo, às vezes até sexual” mas é frequente nas traduções gregas originais da Bíblia. Os escritos cristãos primitivos ocasionalmente usam a palavra para se referir à vontade humana e, embora geralmente se refira à vontade de Deus, também pode se referir à vontade do oponente de Deus, o Diabo. A base da visão niilista de Rabelais era que “é de acordo com a natureza do homem ansiar pelas coisas proibidas e desejar o que nos é negado”.
Referências: